| Intervenção - A exploração de hidrocarbonetos em águas profundas |
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Video " A Exploração Do Leito Do Mar e a Captação de Energia" Exploração de Hidrocarbonetos em Águas Profundas" Excelências, Minhas Senhores e meus Senhores, Tendo recebido o amável convite da Fundação "D. Manuel II" foi-me pedido para tecer algumas considerações sobre a Exploração de Hidrocarbonetos em Águas Profundas. Aproveito, desde logo, a oportunidade que me foi dada, para agradecer o convite, que tem como objectivo contribuir para o debate sobre o " Mar e os Oceanos" num contexto decisivo de intercâmbio de culturas entre os povos do espaço Lusófono, procurando encontrar e integrar áreas comuns de cooperação que potenciem o desenvolvimento dos nossos países. - o "Congresso" Mares da Lusofonia, como tema central destes dois dias tem, naturalmente, outras áreas de debate multidisciplinar. O presente congresso realiza-se no momento ideal, tanto por se comemorar o centésimo aniversário do falecimento do rei D. Carlos, permitindo-nos reflectir sobre as relações de Portugal com os Territórios Africanos àquela época, como nos permite reflectir sobre a actualidade, num momento particularmente especial para Angola, quando se constata, hoje, que o meu País encontrou estabilidade e meios necessários para repensar estratégias de desenvolvimento, redefinindo a sua participação na economia internacional, buscando condições e mecanismos que permitem uma integração rápida e efectiva no Sistema Comercial Mundial. O fenómeno da globalização coloca-nos , perante a questão do reforço da coerência na gestão da economia mundial e da necessidade de uma visão sistemática na rectificação ou diminuição dos desequilíbrios a nível da economia internacional que fortemente se manifestam pela fraca competitividade dos Países Africanos, incluídos, naturalmente, os Países de expressão portuguesa. De referir, á partida, que a mundialização é, não só, incessante como inevitável; directa ou indirectamente, somos sempre afectados ou partícipes de factos marcantes que ocorram em determinadas ou diversas partes do globo. Podemos é interrogar-nos em que medida o desenvolvimento de um mundo globalizado está sendo rentável para todos e, quais devem ser as estratégias de desenvolvimento, inovadoras, que devem adoptar os países da comunidade Lusófona. Este congresso é, por isso mesmo, mais um espaço para o debate que se impõe. Ao falarmos hoje sobre a " Exploração De Hidrocarbonetos em Águas Profundas" no quadro do painel relativo à Exploração do Leito do Mar e a Captação de Energia, exige-se de forma prévia uma breve abordagem, embora sucinta, sobre a Energia. como sabemos, o planeamento energético é um processo complexo, que exige interdiciplinaridade , envolvendo questões de engenharia, economia, sociologia, ambiente, interesses diversos de países e de empresas com amplitudes que podem resultar em conflitos internacionais. Mas, a energia, é fundamental por várias razões e, principalmente por assegurar e garantir de forma ímpar o desenvolvimento económico, através de investimentos em hidroeléctricas, em plataformas de petróleo e consequente exploração de hidrocarbonetos, ou através das várias e diferenciadas fontes alternativas do petróleo. No entanto, os hidrocarbonetos, e o petróleo em particular, são ainda, a grande fonte de energia do mundo desenvolvido e em desenvolvimento, desde o período em que substituiu o carvão e, principalmente desde a década de 60 (séc. xx) dada a facilidade de produção, transporte e uso e, também, face à inovação tecnológica e organizacional que procurou reduzir custos e ao mesmo tempo, em que procurou aumentar a eficiência funcional e estratégica. Em suma, a energia é crucial e incontornável no funcionamento de todas as economias e a sua disponibilidade ou não, está no centro das crises económicas e, às vezes, políticas que têm afligido o mundo. o petróleo é, como líquido, facilmente armazenável, transportável e destilável; uma matéria-prima energética e química incomparável. ele poderá ser substituído em termos de poder calorífico mas não é substituível no conjunto das suas superiores propriedades. Em particular, o petróleo é a mais aficaz origem de combustíveis líquidos universalmente utilizados em motores de combustão interna, quer em aplicações fixas, quer sobretudo em, aplicações móveis, com destacada predominância nos sectores de transportes aéreo, marítimo e terrestre. E por esta via, o petróleo está omnipresente e tem uma importância imediata e determinante no comércio, a todos os seus níveis de integração económica. Note-se, porém, que com o aumento da procura e com a descoberta de novas áreas de produção, a indústria de hidrocarbonetos passou a ser global. " As grandes companhias passaram a agir de forma integralmente verticalizada e internacionalizada, buscando o controlo dos mercados internacionais. Por outro lado, verificamos que a oferta do petróleo encontrou-se diluída num número crescente de países, o que levou as grandes companhias a adoptarem duas estratégias: uma, a obtenção de concessões - levando ao maior controle das reservas, particularmente as do médio oriente e não só; e outra, o estabelecimento de consórcios enquanto coordenação oligopolista adoptada pelas principais companhias mundiais de petróleo, com o objectivo de reduzir a competição predatória. Mas, devemos ter em conta que até aos dias de hoje, foram feitas várias reestruturações na indústria petrolífera mundial, particularmente na década de 90, que acabaram por constituir um movimento novo na busca e controlo de novas áreas de reservas, num processo e orientação lideradas pelas operadoras globais do petróleo. Esta orientação foi dirigida tanto para as potenciais reservas, em novos países, no onshore como em áreas do offshore tradicional, águas rasas e também, em águas profundas. Entrou-se pois, na área de hidrocarbonetos em águas profundas e já hoje, nas águas ultra-profundas ou " deep deep water", isto é, para lá de 300 metros de profundidade e, tudo como resultado do aumento global da procura e do elevado preço do barril de petróleo, exigindo novas reservas, em pontos distantes. O primeiro campo além da costa da indústria, foi perfurado em 1947, na costa da Louisiana (Estados Unidos). Desde esse período que a busca constante para áreas mais distantes e profundas tem prosseguido. Porém, deve ter-se presente que existem, ainda, muitos obstáculos e desafios no desenvolvimento de novos campos em águas profundas. um deles e, por sinal, crítico, prende-se com a escassez mundial de sondas de perfuração, que é um "legado dos baixos preços do petróleo que inibiam, há uma década, o investimento; situação que se encontra em reversão face à alta dos preços actuais do petróleo. Porém, deve ter-se em conta que a produção de sondas confronta-se com uma lista de espera considerável. Mas, estamos certos de que as águas profundas são potencialmente um espaço de vitalidade activa na exploração de hidrocarbonetos no mercado global de energia; e, não obstante os obstáculos supra-referidos, está constatado que há abundância de petróleo nestes depósitos, especialmente no golfo do México, na costa marítima do Brasil e na costa oeste de África; englobando, naturalmente, Angola e São Tomé. Podemos tirar deste quadro uma ilação importante, enquanto janela de oportunidades para os países lusófonos, estando a maioria, inseridos no espaço atlântico: Portugal, Brasil, Cabo-verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Angola. necessário é que, juntamente com Moçambique e Timor Leste, se estruture um quadro e visão estratégicos, que influam na selecção de prioridades fundamentais, relativas ao planeamento energético dos nossos países e que estejam claramente inseridos no plano de desenvolvimento. No quadro de partilhas de sinergias, urge que os países lusófonos procurem melhorar a sua experiência e conhecimentos sobre a pesquisa, exploração, produção e comercialização de hidrocarbonetos, através de empresas públicas e privadas. Para tal e tratando-se de matérias tão específicas como hidrocarbonetos, as empresas públicas ou privadas deverão, ou deveriam "adoptar uma visão estratégica de desenvolvimento organizacional integrada de curto, médio e longo prazo, através de acções combinadas, concertadas e articuladas em termos de processos, sistemas e de pessoas, por forma a que todos os investimentos nesta área resultem de forma incremental em termos de mais-valia sócio-económicas a criar. No historial da Exploração de Hidrocarbonetos em águas profundas e ultra profundas, deve-se referir o trabalho da Chevrom e outras grandes companhias internacionais, tais como a Bp e a total fina Elf dentre outras; Pois, grande parte da actividade petrolífera se encontra não só nas águas profundas como na águas ultra profundas, além de 1.500 metros de profundidade. De reter que já em 2003, a Chevrom perfurou um poço recorde de 3.051 metros de profundidade e há possibilidades de os navios - sonda de empresa de perfuração, transocean, serem capazes de chegar a profundidades totais de poço de 12 mil metros, incluindo 3.660 metros de águas. por outro lado, é também de lembrar que um terço das sondas de águas profundas do mundo estão activos no golfo do México, explorando uma formação antiga chamada terciário inferior que se espalha do Texas e Louisiana, até bem distante da costa. - Nos Mares da Lusofonia e começando pelo Brasil, a Petrobrás é nos últimos 23 anos pioneira do uso do conceito de produção flutuante e foi marcante o seu primeiro programa de desenvolvimento tecnológico de sistemas de produção em águas profundas (Procap), lançado em 1986 com a finalidade de melhorar a competência técnica da empresa na produção de petróleo e gás natural em águas com profundidade até 1000 m. nesta linha e, movida pela necessidade de colocar em produção os campos já descobertos em águas profundas, assim como os campos potenciais a serem descobertos à profundidade de lâmina de água de cerca de 3000 m, a indústria petrolífera brasileira foi ampliando e desenvolvendo um conjunto de novas tecnologias, sendo o desafio a descoberta de grandes reservas para aumentar a produção, no quadro de um desígnio global da empresa, o que a tornou, nos anos 90, um ponto de referência mundial. E nesse ano, a Petrobrás conquistou a posição de maior produtora em águas profundas no mundo, com cerca de 65% da área dos seus blocos de exploração marítima (offshore) situadas a profundidades de mais de 400 metros. em 2006, a empresa alcançou a auto-suficiência em petróleo, com cerca de 70% da sua produção proveniente de águas profundas e ultra-profundas. A competência da Petrobrás nesta área revelou-se de grande relevância, observando-se que no processo de internacionalização da empresa e na abertura do upstream Brasileiro ela adquiriu vantagens consideráveis nas associações com outras empresas, em reconhecimento a seu grande know - how onde a actividade offshore, abrange uma ampla gama de tecnologias. As actividades da Petrobrás, Galp, Partex, Sonangol e companhias de petróleo dos países lusófonos têm tido, no conjunto, relações de parceria que permitem estabelecer um quadro mais dinâmico, podendo ser mais coeso face á interacção que as economias destes países potenciam e pelo ambiente socio-cultural e histórico em que tais relações se inscrevem. - Fazendo uma breve análise sobre Angola e da sua actividade na área de Exploração de Hidrocarbonetos, o País tem os instrumentos necessários e úteis para a sua intervenção na arena internacional, na medida em que o Estado Angolano é proprietário dos recursos minerais - do petróleo, no caso concreto, por ter, propriedade dominial dos jazigos de hidrocarbonetos nos termos da lei 13/78 de 26 de agosto, princípio consagrado, de novo, na lei n.º 10/04 de 12 de novembro - lei das actividades petrolíferas (art.º 3.º - domínio público dos jazigos petrolíferos; art.º 4.º princípio da exclusividade da concessionária nacional; art.º 5.º intransmissibilidade de direitos) matérias estas, entendidas no âmbito dos debates sobre os recursos minerais, que produziram a " declaração sobre a soberania permanente em relação aos recursos naturais" adoptada na Assembleia Geral das Nações Unidas como resolução 1.803 de 14 de dezembro de 1962. Perante os vários e grandes desafios que angola enfrenta no seu desenvolvimento há, hoje, uma janela de oportunidades reais e um horizonte económico alicerçado na indústria do petróleo e gás que deverão potenciar e fomentar o crescimento de todos os outros sectores da economia nacional e ainda, pela excelente vantagem da inserção geográfica e geoestratégica do país na África Austral e Central, por um lado e por outro lado, por ser membro do espaço Lusófono onde partilha uma cooperação activa com todos os membros, em áreas diferenciadas, o que recomenda uma visão e Influência Cuidadas e uma análise ponderada na estruturação do Papel Político e Económico que o País deve desempenhar na sua intervenção Lusófona, Regional e Internacional. Não cabe aqui fazer um histórico da actividade petrolífera em Angola, que teve o seu início em 1910, mas apenas uma breve abordagem sobre a actividade de exploração de hidrocarbonetos em águas profundas. A exploração em Águas Profundas começou em 1991 com a adjudicação do bloco 16, a que se seguiram os blocos 14,15,17,18 e 20. A Sonangol Produção e Pesquisa (P&P) tem ainda uma parceria em águas profundas no bloco 34 da qual espera vir a produzir 200.000 bpd num espaço de 4 anos e outra no bloco 4/05. São áreas ainda em fase de pesquisa. A exploração é feita, principalmente, em Alto-Mar em profundidades superiores a 1,200 metros, razão pela qual a maioria dos operadores no mercado angolano usa tecnologia de ponta para exploração de hidrocarbonetos. Pelos custos elevados - cada poço em águas profundas custa entre 20 a 50 milhões de dólares dos E.U.A - para se efectuar cada empreitada arriscada do género, requer-se da empresa contratada poder financeiro, experiência sobre prospecção, planeamento antecipado, cuidados e perícia no trabalho a ser desenvolvido a posterior. Foi a combinação de factores como a inovação na tecnologia e na engenharia e a perícia dos operadores que deu resultados positivos à todos os níveis, na exploração dos blocos 15, 17 e 18. Em Síntese:
As descobertas em águas profundas no bloco 17 e nos blocos vizinhos (blocos 14,15, 16) marcaram o ponto de viragem da produção de petróleo em Angola. Em 1996 com a descoberta do poço Girassol (no bloco 17) em Águas Profundas, Angola deixou de ser um simples produtor médio de petróleo para se tornar num dos pontos principais para busca de novas reservas. Com a entrada em produção do girassol, os índices de sucesso não pararam de crescer. Uma tendência que se prevê contínua para os próximos anos, à medida que mais poços em águas profundas são descobertos e entram em produção. Até agora, as descobertas em águas profundas da Costa Atlântica, Angolana, têm alcançado índices de sucesso de 80%. No bloco 17, encontrou-se petróleo em todos poços ali perfurados - Rosa, Dália, Orquídea, Jasmin, Tulipa e Girassol. Em 2001 a Produção de Petróleo em Angola que estava abaixo de um (1) milhão de barris por dia(bpd), em final de 2005 a produção média chegou a 1,4 milhões bpd e no primeiro trimestre de 2008 passou a produzir dois (2) milhões bpd. Para 2010 prevê-se uma produção média de três (3) milhões bpd. com o avanço da tecnologia para perfuração em Alto-Mar e com o sucesso dos blocos 15 e 17, actualmente as concessões já não são denominadas "águas profundas" mas sim "águas ultra-profundas" - o que significa profundidade para além dos dois mil metros. Com as várias descobertas nas faixa atlântica angolana o país poderá tornar-se num dos principais produtores de petróleo no continente africano. A aposta em novas tecnologias para exploração em águas profundas e ultra-profundas tem tornado a indústria petrolífera angolana num marco de referência em África. Com o potencial existente na áreas de exploração de Hidrocarbonetos, tanto no Brasil, com a Petrobrás e outras empresas, como em Angola e, se considerarmos os patamares de cooperação - a vários níveis - que existe entre os países Lusófonos, todos eles com actividades de pesquisa, estudos sísmicos e algumas em exploração e produção; Em Portugal - na bacia de Peniche e Costa Vicentina - através da Galp, Partex e Petrobrás, além das parcerias com a Sonangol; as pesquisas na Guiné - Bissau, em Moçambique (bastante avançadas); em São Tomé e Príncipe; A exploração petrolífera em Timor Leste; a exploração em Cabo Verde juntamente com as actividades de parceria da Sonangol firmadas com todos os países Lusófonos, os Mares da Lusofonia constituem um elemento ou instrumento inelutável a ter presente nos projectos de desenvolvimento e de cooperação entre os nossos Países, sendo eles uma fonte extraordinária de recursos económicos, além de se projectarem ( Atlântico Sul) também, noutros planos, como "Oceanos de caminhos marítimos imprescindível ao equilíbrio geoestratégico mundial. Neste sentido, gostaria de terminar, realçando que o desafio da construção de um espaço comum de cooperação e desenvolvimento existe e está presente! Em conjunto e com as várias valências e capacidades que cada País Membro e empresas podem agregar ao projecto comum da Lusofonia , devo referir que na actividade de exploração de Hidrocarbonetos, os impactos económicos e tecnológicos dos investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) onde a Pesquisa deverá ser organizada na forma de uma rede de inovação e partilha será determinante na produção de impactos indirectos. O conjunto de empresas participantes na rede poderão usufruir de avanços importantes nas suas capacitações tecnológicas, permitindo alavancar novos negócios e projectos. Significa isto, que as empresas deverão aprender como aumentar a sua capacidade de absorção de conhecimentos tecnológicos através da interacção com outras empresas e universidades. É necessário, por isso, "criar ou fomentar políticas estrategicamente articuladas de estímulo e orientação com os actores empresariais, trocando conhecimentos e experiências, tanto mais fácil quando há uma base cultural que o facilita". |
