Congresso - Os Mares da Lusofonia


I - A extensãoda Plataforma Continental nos Países da Lusofonia

II - Implicações Politicas e de Segurança

III - Aspectos Juridicos

IV - Ambiente, Ciência e Tecnologia

V - O Valor Económico (potencial) do Fundo do Mar
Intervenção - A exploração de hidrocarbonetos em águas profundas

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Dr. Vitorino Hossi :: A Exploração do leito do mar e a captação de energia

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" A Exploração Do Leito Do Mar e a Captação de Energia"

Exploração de Hidrocarbonetos em Águas Profundas"

Excelências,

Minhas Senhores e meus Senhores,

Tendo recebido o amável convite da Fundação "D. Manuel II" foi-me pedido para tecer algumas considerações sobre a Exploração de Hidrocarbonetos em Águas Profundas.

Aproveito, desde logo, a oportunidade que me foi dada, para agradecer o convite, que tem como objectivo contribuir para o debate sobre o " Mar e os Oceanos" num contexto decisivo de intercâmbio de culturas entre os povos do espaço Lusófono, procurando encontrar e integrar áreas comuns de cooperação que potenciem o desenvolvimento dos nossos países.

- o "Congresso" Mares da Lusofonia, como tema central destes dois dias tem, naturalmente, outras áreas de debate multidisciplinar.

O presente congresso realiza-se no momento ideal, tanto por se comemorar o centésimo aniversário do falecimento do rei D. Carlos, permitindo-nos reflectir  sobre as relações de Portugal com os Territórios Africanos àquela época, como nos permite reflectir sobre a actualidade, num momento particularmente  especial para Angola, quando se constata, hoje, que o meu País  encontrou estabilidade e meios necessários para repensar  estratégias  de desenvolvimento, redefinindo a sua participação na economia  internacional, buscando condições e mecanismos  que permitem  uma integração  rápida  e efectiva  no Sistema  Comercial Mundial. O fenómeno  da globalização coloca-nos , perante a questão do reforço da coerência na gestão da economia mundial e da  necessidade de uma visão sistemática  na rectificação ou diminuição dos desequilíbrios  a nível da economia internacional que fortemente  se manifestam  pela fraca competitividade  dos Países  Africanos, incluídos, naturalmente, os Países de expressão portuguesa.

De referir, á partida, que a mundialização é, não só, incessante como inevitável; directa ou indirectamente, somos sempre afectados ou partícipes de factos marcantes que ocorram  em determinadas ou diversas  partes  do globo.

Podemos é interrogar-nos em que medida  o desenvolvimento de um mundo globalizado  está sendo rentável para todos e,  quais devem ser as estratégias de desenvolvimento, inovadoras, que devem adoptar os países da comunidade Lusófona.

Este congresso é, por isso mesmo, mais um espaço para  o debate que se impõe.

Ao falarmos hoje sobre a " Exploração De Hidrocarbonetos em Águas Profundas" no quadro do painel  relativo à Exploração do Leito do Mar e a Captação de Energia, exige-se  de forma prévia uma breve abordagem, embora sucinta, sobre a Energia. como sabemos, o planeamento energético é um processo complexo, que exige interdiciplinaridade , envolvendo questões  de engenharia, economia, sociologia, ambiente, interesses diversos de países e de empresas com amplitudes que podem resultar em conflitos internacionais. Mas,  a energia, é fundamental por várias  razões e, principalmente por  assegurar e garantir de forma ímpar o desenvolvimento  económico,  através  de investimentos  em hidroeléctricas, em plataformas  de petróleo e consequente  exploração de hidrocarbonetos, ou através  das várias e diferenciadas fontes  alternativas do petróleo.

No entanto, os hidrocarbonetos, e o petróleo em particular, são ainda, a grande fonte de energia do mundo desenvolvido e em desenvolvimento, desde o período em que substituiu  o carvão e, principalmente  desde a década de 60 (séc. xx) dada a facilidade de produção, transporte e uso e, também, face à  inovação tecnológica e organizacional que procurou  reduzir  custos  e ao mesmo tempo, em que procurou aumentar a eficiência  funcional e  estratégica. Em suma, a energia  é crucial  e incontornável no funcionamento de todas as economias  e a sua  disponibilidade ou não, está no centro das crises económicas  e, às vezes, políticas que  têm afligido  o mundo. o petróleo é, como líquido, facilmente armazenável, transportável e destilável; uma matéria-prima  energética  e química incomparável. ele poderá ser substituído em termos de poder calorífico mas não é   substituível no conjunto das suas  superiores  propriedades. Em particular, o petróleo é a mais aficaz origem de combustíveis  líquidos universalmente utilizados em motores de combustão interna, quer em aplicações fixas, quer sobretudo em, aplicações móveis, com  destacada  predominância  nos sectores  de transportes  aéreo, marítimo e terrestre. E por esta via, o petróleo está omnipresente e tem uma  importância imediata e determinante  no comércio, a todos os seus  níveis de integração económica. Note-se, porém, que com o aumento da procura e com a descoberta de novas áreas de produção, a indústria de hidrocarbonetos passou a ser global. " As grandes companhias passaram a agir de forma integralmente verticalizada  e internacionalizada, buscando o controlo dos mercados internacionais. Por outro lado, verificamos que a oferta do petróleo encontrou-se diluída  num número crescente de países, o que levou as grandes companhias  a adoptarem duas estratégias: uma, a obtenção de concessões - levando ao maior  controle das reservas, particularmente as do médio oriente e não só; e outra, o estabelecimento de consórcios enquanto coordenação oligopolista adoptada pelas principais companhias mundiais de petróleo, com o objectivo de reduzir a competição predatória.

Mas, devemos ter em conta que até aos dias de hoje, foram  feitas  várias reestruturações na indústria petrolífera mundial, particularmente  na década  de 90, que  acabaram por constituir  um movimento novo na busca e controlo de novas áreas de reservas, num processo e orientação lideradas  pelas operadoras  globais do petróleo. Esta orientação foi dirigida tanto para  as potenciais reservas, em novos países, no onshore como em áreas do offshore  tradicional, águas rasas e também, em águas profundas. Entrou-se pois, na área de hidrocarbonetos em águas profundas e já hoje, nas águas ultra-profundas ou " deep deep water", isto é, para lá de 300 metros de profundidade e, tudo como resultado do aumento global da procura e do elevado preço do barril de petróleo, exigindo novas reservas, em pontos distantes.

O primeiro campo além da costa da indústria, foi perfurado em 1947, na costa da Louisiana (Estados Unidos). Desde esse período que a busca constante para áreas mais distantes  e profundas tem prosseguido. Porém, deve ter-se  presente que existem, ainda, muitos obstáculos e desafios no desenvolvimento de novos campos  em águas  profundas. um deles  e, por sinal, crítico, prende-se com a escassez mundial de sondas  de perfuração, que  é um "legado dos baixos  preços do petróleo que inibiam, há uma década, o investimento; situação que se encontra em reversão face à alta dos preços actuais  do petróleo. Porém, deve ter-se  em conta que a produção de sondas confronta-se com uma lista  de espera considerável. Mas, estamos certos de que as águas profundas são potencialmente  um espaço de vitalidade activa na exploração de hidrocarbonetos no mercado global de energia; e, não obstante os obstáculos supra-referidos, está constatado que há abundância de petróleo nestes depósitos, especialmente no golfo do México, na costa marítima do Brasil e na costa oeste de África; englobando, naturalmente, Angola e São Tomé.

Podemos tirar deste quadro uma ilação importante, enquanto janela de oportunidades para os países lusófonos, estando a maioria, inseridos no espaço atlântico: Portugal, Brasil, Cabo-verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Angola. necessário é que, juntamente com Moçambique e Timor Leste, se estruture um quadro e visão estratégicos, que influam na selecção de prioridades fundamentais, relativas ao planeamento energético dos nossos países e que estejam claramente inseridos no plano de desenvolvimento.

No quadro de partilhas de sinergias,  urge  que os países  lusófonos  procurem  melhorar a sua experiência e conhecimentos sobre a pesquisa, exploração, produção e comercialização de hidrocarbonetos, através de empresas  públicas e privadas. Para tal e  tratando-se  de matérias  tão específicas  como hidrocarbonetos, as empresas públicas ou privadas deverão, ou deveriam "adoptar uma visão estratégica de desenvolvimento organizacional integrada  de curto, médio e longo prazo, através  de acções combinadas, concertadas e articuladas em termos de processos, sistemas e de pessoas, por forma a que todos os investimentos nesta área resultem de forma  incremental em termos de mais-valia sócio-económicas a criar.

No historial  da Exploração de Hidrocarbonetos em águas profundas e ultra profundas, deve-se referir  o trabalho da Chevrom e outras grandes companhias internacionais, tais como a Bp e a total fina Elf dentre outras; Pois, grande parte da actividade petrolífera se encontra não só nas águas profundas como na águas ultra profundas, além de 1.500 metros de profundidade. De reter que já em 2003, a Chevrom perfurou um poço recorde de 3.051 metros de profundidade e há possibilidades de os navios - sonda de empresa de perfuração, transocean, serem capazes de chegar a profundidades totais de poço de 12 mil metros, incluindo 3.660 metros de águas. por outro lado, é também de lembrar que um terço das sondas de águas profundas do mundo estão activos no golfo do México, explorando uma formação antiga chamada terciário inferior que se espalha do Texas e Louisiana, até bem distante da costa.

- Nos Mares da Lusofonia e começando pelo Brasil, a Petrobrás é nos últimos 23 anos pioneira do uso do conceito de produção flutuante e foi marcante o seu primeiro programa de desenvolvimento tecnológico de sistemas de produção em águas profundas (Procap), lançado em 1986 com a finalidade de melhorar a competência técnica  da empresa na produção de petróleo e gás natural em águas com profundidade até 1000 m. nesta linha e, movida  pela necessidade de colocar em produção os campos já descobertos em águas profundas, assim como os campos potenciais a serem descobertos à profundidade de lâmina de água de cerca de 3000 m, a indústria petrolífera brasileira foi ampliando e desenvolvendo um conjunto de novas tecnologias, sendo o desafio a descoberta de grandes reservas  para aumentar a produção, no quadro de um  desígnio global da empresa, o que a tornou, nos anos 90, um ponto de referência mundial. E nesse ano, a Petrobrás conquistou a posição de maior produtora em águas  profundas no mundo, com cerca de 65% da área dos seus blocos de exploração marítima (offshore) situadas a profundidades de mais de 400 metros. em 2006, a empresa alcançou  a auto-suficiência em petróleo, com cerca de 70% da sua produção proveniente de águas profundas e ultra-profundas. A competência da Petrobrás nesta área revelou-se de grande relevância, observando-se  que no processo de internacionalização da empresa e na abertura do upstream Brasileiro  ela adquiriu  vantagens  consideráveis nas associações com outras empresas, em reconhecimento a seu grande know - how onde a  actividade offshore, abrange uma ampla gama de tecnologias.

As actividades da Petrobrás, Galp, Partex, Sonangol e companhias de petróleo dos países lusófonos têm tido, no conjunto, relações de parceria  que permitem estabelecer um quadro mais dinâmico, podendo ser mais coeso face á interacção que as economias  destes países potenciam e pelo ambiente socio-cultural e histórico em que tais relações se inscrevem.

- Fazendo uma breve análise  sobre Angola e da sua actividade na área de Exploração de Hidrocarbonetos, o País tem os instrumentos necessários e úteis para a sua intervenção na arena internacional, na medida em que o Estado Angolano é proprietário dos recursos minerais - do petróleo, no caso concreto, por ter, propriedade dominial dos jazigos de hidrocarbonetos nos termos da lei 13/78 de 26 de agosto, princípio consagrado, de novo, na lei n.º 10/04 de 12 de novembro - lei das actividades petrolíferas (art.º 3.º - domínio público dos jazigos petrolíferos; art.º 4.º princípio da exclusividade da concessionária nacional; art.º 5.º intransmissibilidade de direitos) matérias estas, entendidas  no âmbito dos debates  sobre os recursos minerais, que produziram a " declaração sobre a soberania permanente  em relação aos  recursos  naturais"   adoptada na  Assembleia Geral das Nações Unidas como resolução 1.803 de 14 de dezembro de 1962.

Perante os vários e grandes  desafios que angola enfrenta no seu desenvolvimento há, hoje, uma janela de oportunidades reais e um horizonte económico alicerçado na indústria do petróleo e gás que deverão potenciar e fomentar o crescimento de todos os outros sectores da economia nacional e ainda, pela excelente vantagem da inserção geográfica  e geoestratégica do país na África Austral e Central, por um lado e por outro lado, por ser membro do espaço Lusófono onde partilha  uma cooperação activa com todos os membros, em áreas diferenciadas, o  que recomenda uma  visão e Influência Cuidadas e uma análise ponderada na estruturação do Papel Político e Económico que o País deve desempenhar na sua intervenção Lusófona, Regional e Internacional.

Não cabe aqui fazer um histórico da actividade petrolífera  em Angola, que teve o seu início em 1910, mas apenas uma breve abordagem sobre a actividade de exploração de hidrocarbonetos em águas profundas.

A exploração em Águas Profundas começou em 1991 com a adjudicação do bloco 16, a que se seguiram os blocos 14,15,17,18 e 20. A Sonangol Produção e Pesquisa (P&P) tem ainda uma parceria em águas profundas no bloco 34 da qual espera vir  a produzir  200.000 bpd num espaço de 4 anos e outra no bloco 4/05. São áreas  ainda em fase de pesquisa.

A  exploração é feita, principalmente, em Alto-Mar em profundidades superiores a 1,200 metros, razão pela qual a maioria dos operadores  no mercado angolano usa  tecnologia de ponta para exploração de hidrocarbonetos. Pelos custos elevados - cada poço em águas profundas  custa entre 20 a 50 milhões  de dólares dos E.U.A - para se efectuar  cada empreitada arriscada do género, requer-se da empresa contratada poder financeiro, experiência sobre prospecção, planeamento antecipado, cuidados e perícia no trabalho a ser desenvolvido a posterior. Foi a combinação de factores  como a inovação na tecnologia e na engenharia e a perícia dos operadores  que deu resultados positivos à todos os níveis, na exploração dos blocos 15, 17 e 18.

Em Síntese:

* O bloco 15, localizado acerca de 370 km a Noroeste de Luanda, tem os seus reservatórios 500 à 2000 metros abaixo do leito oceânico, em profundidades que rondam entre os 700  e os 1.500 metros. As áreas  de desenvolvimento neste bloco têm os seus poços bombeados para as FPSO Kizomba A e Kizomba B cuja produção combinada é de cerca de 500.000 bpd.

* O bloco 17, que tem 15 descobertas  comerciais, fica situado a 135 km da costa angolana e a sua lâmina de água varia entre 1.200 e 1.500 metros. Deste bloco constam quatro áreas principais: Girassol (que inclui os Campos Rosa e Jasmim), Dália - estas  áreas estão ambas em produção - Paz flor e Clov (que representa cravo, lírio, orquídea e violeta). A produção das duas últimas áreas será superior a mais de 500.000 bpd bombeados dos Campos Girassol, Rosa e Dália.

* Dália começou a produzir em dezembro de 2006 com uma  FPSO - uma das maiores do mundo - que leva o seu nome; seis meses depois, em junho de 2007, entrou em produção o rosa que esta interligado a FPSO girassol. O campo rosa está apenas  a 15 km da FPSO girassol. Rosa é o primeiro campo de águas ultra-profundas e com grandes proporções, a estar ligado a uma  plataforma remota nesta profundidade de água. o crude do Rosa manterá o nível de produção da FPSO nivelado em 250.000 bpd até ao princípio da próxima década.

* O bloco 18 está localizado a  160 km a noroeste de Luanda, em profundidades rondando os 1.450 e os 1.200 metros. O desenvolvimento dos 5.000 km2 deste bloco inclui os campos gálio, crómio, paládio, cobalto e plutónio.

* A prospecção do petróleo bruto no campo grande Plutónio começou no dia 1 de outubro de 2007 e consiste em 43 poços - dos quais 20 produtores, 20 injectores de água e 3 injectores de gás. A sua estimativa de produção é de 200.000 bpd de crude com baixo teor de enxofre e de média densidade, uma quantidade que coloca a produção diária em Angola mais próximo do objectivo de 2 milhões  barris por dia.

  • Atenção especial tem sido dada aos blocos 15 e 17, por constituírem verdadeiros blocos de sucesso e pelo alto grau de tecnologias utilizadas e pelo potencial de reservas encontradas.

As descobertas em águas  profundas  no bloco 17 e nos blocos vizinhos (blocos 14,15, 16) marcaram o ponto de viragem da produção de petróleo em Angola. Em 1996 com a descoberta do poço Girassol (no bloco 17) em Águas Profundas, Angola deixou de ser  um simples produtor médio de petróleo para se tornar num dos pontos principais para busca de novas reservas.

Com a entrada em produção do girassol, os índices de sucesso não pararam de crescer. Uma tendência que se prevê contínua para os próximos anos, à medida que mais poços em águas profundas  são descobertos e entram em produção.

Até agora, as descobertas  em águas profundas  da Costa Atlântica,  Angolana, têm alcançado índices  de sucesso de 80%. No bloco 17, encontrou-se  petróleo em todos poços ali perfurados - Rosa, Dália, Orquídea, Jasmin, Tulipa e Girassol.

Em 2001 a Produção de Petróleo em Angola que estava abaixo de um (1) milhão de barris por dia(bpd), em final de 2005 a produção média chegou a 1,4 milhões bpd e no primeiro trimestre de 2008 passou a produzir dois (2) milhões bpd. Para 2010 prevê-se uma produção média de três (3) milhões bpd.

com o avanço da tecnologia para perfuração em Alto-Mar e com o sucesso dos blocos 15 e 17, actualmente as concessões  já não são denominadas "águas profundas" mas sim "águas ultra-profundas" - o que significa profundidade para além dos dois mil metros.

Com as várias descobertas  nas faixa atlântica angolana o país poderá tornar-se num dos principais produtores  de petróleo no continente africano. A aposta em novas tecnologias para exploração em águas profundas e ultra-profundas tem tornado a indústria  petrolífera  angolana num marco de referência em África.

Com o potencial existente na áreas de exploração de Hidrocarbonetos, tanto no Brasil, com a Petrobrás e outras  empresas, como em Angola e, se considerarmos os patamares de cooperação - a vários níveis - que existe entre os países  Lusófonos,  todos eles com actividades de pesquisa, estudos sísmicos e algumas em exploração e produção; Em Portugal - na bacia  de Peniche e Costa Vicentina - através  da Galp, Partex e Petrobrás, além das parcerias com a Sonangol; as pesquisas  na Guiné - Bissau, em Moçambique (bastante avançadas); em São Tomé e Príncipe; A exploração petrolífera em Timor Leste; a exploração em Cabo Verde juntamente  com as actividades de parceria da Sonangol firmadas  com todos os países  Lusófonos, os Mares da Lusofonia constituem um elemento ou instrumento inelutável  a ter presente nos projectos de desenvolvimento e de cooperação entre os nossos Países, sendo eles  uma fonte extraordinária de recursos económicos, além de se projectarem ( Atlântico Sul) também, noutros planos, como "Oceanos de caminhos marítimos imprescindível ao equilíbrio  geoestratégico mundial.

Neste  sentido, gostaria de terminar, realçando que o desafio da construção de um espaço comum  de cooperação e desenvolvimento existe e está presente!

Em conjunto e com as várias  valências  e capacidades que cada  País  Membro  e empresas podem  agregar ao projecto comum da Lusofonia , devo referir  que na actividade de exploração de Hidrocarbonetos, os  impactos económicos e tecnológicos dos investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) onde  a Pesquisa deverá ser organizada na forma de uma rede de inovação e partilha será determinante  na produção de impactos indirectos. O conjunto de empresas participantes na rede poderão usufruir  de avanços importantes nas suas capacitações tecnológicas, permitindo alavancar novos negócios e projectos. Significa isto, que as empresas  deverão aprender  como aumentar a sua capacidade  de absorção de conhecimentos tecnológicos  através da interacção  com outras empresas e universidades.

É necessário, por isso, "criar ou fomentar políticas  estrategicamente  articuladas  de estímulo e orientação com os actores  empresariais, trocando conhecimentos e experiências, tanto mais fácil quando há uma base cultural que o facilita".