| Síntese - A recolha sustentada de recursos vivos e a biodiversidade - pesca e a aquacultura |
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" 1. Este Congresso tem um especial significado, pelo espírito de solidariedade que o anima, com fortes raízes culturais e históricas acentuadas pelo processo de globalização em curso. Acrescido pela simbologia associada ao Oceano como espaço integrado na diversidade dos mares e bacias oceânicas que o inteiram. Noções que, no meu caso, vão para além das abstracções e conceitos, e adquirem densidade pela vivência, ao longo dos anos, nomeadamente no âmbito das Nações Unidas (FAO, UNESCO e IOC) e do acompanhamento da evolução da pesca e da aquacultura à escala mundial. Agora vistas numa perspectiva de desenvolvimento sustentável. 2. As intervenções previstas (Carlos Sousa Reis / PO, Cirilo
Vieira / RG-B e Fernando Loforte Ribeiro / Moçambique), e o debate que terá
lugar, oferecer-nos-ão um panorama actualizado da situação e requisitos actuais
face à mutação do paradigma de gestão dos recursos vivos e dos espaços
marítimos. Processo marcado pela visão do Oceano como espaço integrado e
interactivo que inspirou a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar,
agora articulada com os objectivos do desenvolvimento sustentável preconizados
na Agenda 21 (Conferência do Rio, 1992), nomeadamente no Capítulo 14
respeitante aos mares e oceanos. Objectivos que visam conciliar o
desenvolvimento económico e social com o ambiente e requerem arranjos
institucionais abertos e participados, envolvendo as partes interessadas e a
sociedade civil no seu conjunto. É neste processo - complexo e lento pela sua própria natureza
e que pretende ir ao encontro das aspirações dos povos num mundo marcado por
situações conflituosas e com graves implicações no plano humano e social - que
começam a vislumbrar-se formas de governação mais responsáveis e eficazes,
mediante uma melhor integração dos assuntos humanos e dos impactos deles
resultantes no contexto ambiental global em que nos inserimos. O Oceano - pelo carácter dos recursos vivos como "bens comuns"
a nível das Áreas Marítimas sob Jurisdição dos Estados bem como no Alto Mar e
Fundos Marinhos; pela dinâmica dos processos naturais que nele têm lugar, e
pela sua capacidade de integrar e intersectar com os outros compartimentos
ambientais (continentes, atmosfera, fundos marinhos, biosfera) - requer uma
abordagem integrada, multidisciplinar e multisectorial. Objectivo fácil de
formular mas difícil de levar à prática de forma satisfatória. É neste contexto que o Sistema das Nações Unidas e outros
mecanismos multilaterais, em conjunção com os Estados, têm procurado, em
particular na sequência da Cimeira de Joanesburgo, estimular acções de
interesse mútuo. O valioso esforço realizado pela FAO, no respeitante à
exploração racional dos recursos pesqueiros e ao desenvolvimento da aquacultura
(componente que será elaborado pelo Dr. Loforte Ribeiro), tem procurado dar
resposta aos riscos resultantes de uma pesca agressiva, destrutiva e ilegal. De
notar que a grave crise resultante (temática que será abordada pelo Dr. Carlos
Reis), se traduz no considerável número de stocks totalmente esgotados ou em
regime avançado de sobrepesca, à escala mundial. Torna-se, assim, imperioso
assumir medidas convincentes, realistas e eficazes que dêem resposta a esta
situação. É neste contexto que, finalmente, se assume que a exploração
dos recursos vivos, pesca e aquacultura, a par do crescente uso e
potencialidades oferecidas pela biodiversidade marinha, sejam integrados para
fins de investigação, gestão e desenvolvimento sustentável no contexto dos
Grandes Ecossistemas Marinhos e das Regiões Ecológicas. Tal requer conhecimento
tanto das ciências exactas e naturais como das ciências humanas e sociais, e
mecanismos institucionais e meios além da capacidade dos Estados, mesmo dos
mais desenvolvidos, bem como de modos avançados de cooperação e coordenação a
nível nacional, regional e global que associem ao processo de decisão, de forma
transparente e ajustada, as partes interessadas, as populações costeiras, e a
sociedade civil no seu conjunto. As alterações climáticas e impactos resultantes, põem em
evidência os objectivos do desenvolvimento sustentável como "utopia útil" para
o futuro da Humanidade, complementando a estratégia de redução da pobreza e das
disparidades sociais que marcam praticamente todas as sociedades. Este
objectivo exige um esforço de solidariedade por razões éticas mas, também,
baseado no interesse mútuo e no crescente respeito pelo "outro". Cabe, nesta
estratégia, um papel fundamental à cooperação bilateral e multilateral, com
vista a reforçar as capacidades nacionais em Assuntos do Oceano e, deste modo,
contribuir para melhorar a colaboração regional e mundial, incluindo na pesca,
aquacultura e biodiversidade. Termino fazendo um apelo para que, no decurso do debate - com inspiração, criatividade, e realismo - e tendo em conta a diversidade e especificidade das situações que caracterizam os Estados que se reconhecem na Lusofonia - sejamos capazes de identificar objectivos e acções comuns que estimulem o espírito de cooperação, com vista a iniciativas concertadas ou conjuntas que contribuam para o desenvolvimento das nossas comunidades e a protecção do ambiente e do Mar que nos une." |
